quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Do Começo ao Fim, um comercial de margarina!


O primeiro indício foi um humor desfavorável do Janot, valorizo a opinião dele porque costuma bater com a minha. Não gosto de ler opinião nenhuma antes de ver um filme, apenas percebo o clima da crítica,  e mesmo com a decepção do Janot, eu queria ver o filme.

Quando cheguei ao cinema, fiquei satisfeita porque a sala estava quase lotada, coisa que eu não esperava num filme brasileiro tão controverso e sem muito apoio. Depois fiquei pensando se a tal falta de apoio que foi divulgada não seria uma jogada de marketing...

Já na sala, senti falta dos heterossexuais. Não por homofobia, mas porque se não somos preconceituosos, por que heteros não assistem filmes sobre gays? Não entendo! 

Mas enfim... comercial de margarina do começo ao fim. Todos se amam desde o início, são felizes, se respeitam, aceitam as diferenças e decisões do outro. Os diálogos foram escritos através de sorteio de clichês. As cenas, também são clichês. E se você viu o trailer, já sabe a história toda. Altamente previsível, aliás, parece que 80% dos diálogos estão no trailer!

Pronto, critiquei!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O sol de cada manhã?


Primeira e única crítica: que adaptação horrorosa foi essa do título do filme no Brasil? De "O homem do tempo" para "O sol de cada manhã". Bizarro! Não podia deixar passar esse "detalhe".

Enfim... sentei diante da TV com pouco entusiasmo, apenas uma distração numa hora de muito cansaço. O que eu queria era descansar a cabeça e ver algo tranquilo. E foi bem tranquilo, mas não bobo. Faltando quinze minutos para o filme terminar eu ainda esperava que algo acontecesse, algo que eu achava coerente acontecer. E pensava: se não acontecer, o filme é uma droga! Mas, como tenho percebido na vida, a minha maneira de querer as coisas não é a única opção que funciona. O que eu esperava não aconteceu, mas fiquei surpresa e feliz com o desfecho.

O filme pra mim é uma alegoria para a forma como é vista a cultura estadunidense em relação a cultura européia, mais especificamente a inglesa. Parece senso comum um certo desprezo aos hábitos e costumes dos EUA, com sua prática mercadológica, consumista, globalizante e pop. Temos o hábito de achar que o povo deste país é alienado, mas de fato, é mesmo? Andy Warhol foi um babaca? E Thomas Jefferson? Hemingway? Buzz Aldrin? Luther King? Harriet Tubman? Bill Gates? Steve Jobs? Susan Sontag?...

É preciso rever sempre.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Versão brasileira

Estou cheia de trabalho e sem poder postar, mas quero comentar uma notícia que recebi no final de semana passado e que me fez viajar até minha infância, quando eu só assistia a filmes dublados pela TV e completava a frase com o locutor: "versão brasileira, Herbert Richers".

Então, o tal de Herbert Richers morreu na sexta-feira passada aos 86 anos (veja matéria da Folha) e senti nostalgia. No site da empresa dele havia um audio com a famosa frase, mas hoje está fora do ar...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O vale da sombra da morte



Uma liberação da maldade e do ódio que se encerra no âmago do ser humano e a busca incessante e frustrada do prazer, são os dois temas que me tocaram durante o filme Anticristo, de Lars Von Trier – que poderia ter sido dirigido pelo David Lynch, tamanha a confusão que faz na sua cabeça.

Cristo representa a parcela de amor e bondade que carregamos, nutrimos e desejamos que se torne preponderante. Já o Anticristo é aquele sentimento obscuro e destrutivo que mantemos escondidos, mas que deseja vir à tona e deseja tomar boa parte do espaço ocupado pela brandura da alma. 

Reconhecer que ambos habitam o nosso coração nos livra da loucura que, ao esbarrar em sentimentos que julgamos menos nobre, pode nos confundir, a ponto de nos identificar apenas com o mal e acreditar que somos essencialmente maus. Tal reconhecimento também nos liberta de lutas e embates contra nós mesmos, quando desejamos ser apenas bons cristãos. Resumindo, vou chover no molhado: é preciso encarar o lado sombrio para saber lidar com ele, sem nos perder nas trevas. 

Se ainda tem dúvidas, assista ao filme e veja como é o Vale da Sombra da Morte.

"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias."  Salmos 23

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Que onda é essa?

O que nos torna manipuladores?

O que nos permite ser manipulados?










Creio que seja a necessidade de pertencimento.



Nascemos para fora do Paraíso e fazemos qualquer coisa para voltar. Fomos expelidos. Desejamos ser iguais ao ser que nos gerou e quando conseguimos, somos punidos com a expulsão. Passamos a vida buscando essa religação divina, a sensação de pertencer ao outro – ser individual ou coletivo. Quando percebemos que somos um indivíduo, descobrimos também que estamos separados e essa descoberta é terrível para nós. Desejamos ávidamente retomar a ligação, mas é tarde demias, o cordão se rompeu.



Talvez, a única saída seja entender que o cordão não é o único elo, que existem outras conexões e que o rompimento é ilusório. Que não conseguimos compreender de forma objetiva nossa ligação, mas ela existe, basta prestar atenção ao movimento da vida.



O Paraíso, o Reino dos Céus está próximo, muito próximo, é preciso percebê-lo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Filmes leves

Às vezes sinto-me mal porque dizem que gosto de filmes densos, pesados e difíceis. Recentemente passei uma fase em que meus convites para ir ao cinema não surtiam efeito e já estava ficando neurótica, pensando que meu gosto para filmes era péssimo ou esquisito. Então, numa noite com minhas irmãs, comecei a listar os filmes leves e os pipocões que eu gosto. E me surpreendi com o tamanho da lista.

Organizei os filmes da seguinte forma: os visivelmente pipocões (bem comerciais) e os demais leves, que não eram tão blockbuster, sem tentar classificar em cults, independentes ou que simplesmente não implacaram nas bilheterias. Bem, não tenho um critério muito claro para definir se um filme é pipocão ou não, então, haverão divergências. Não importa.


Pipocão

  1. Cidade dos anjos
  2. Beline e a Esfinge
  3. Shrek
  4. Aprendiz de sonhador
  5. Gênio Indomável
  6. O Segredo de Broke Back Mountain
  7. Batman Begins
  8. Batman: o cavaleiro das trevas
  9. Batman: o retorno
  10. Senhor dos anéis
  11. De volta para o futuro (umas das melhores trilogias que já vi)
  12. Rain Man
  13. Diários de Motocicleta
  14. Cidade de Deus
  15. A armadilha
  16. Adoráveis mulheres
  17. E.T.
  18. O show de Truman
  19. Os fantasmas se divertem
  20. O Lobo
  21. Shakespeare apaixonado
  22. Meu primeiro amor
  23. Formiguinha Z (amo, amo, amo!)
  24. Sin City
  25. 300
  26. Inteligência Artificial
  27. O feitiço do tempo 
  28. O diabo veste Prada
  29. Sex and the city
  30. Albergue espanhol
  31. Rainhas
  32. 007 (meu pipocão clássico)
  33. O diário de Bridget Jones
  34. Quem quer ser um milionário
  35. Harry Potter
  36. Titanic (vi no cinema e amei!)
  37. X-men
  38. Arquivo X (sou fã, mesmo!) 
  39. Matrix (ai, ai, ai... vi umas vinte vezes!)
  40. Erin Brockovich
  41. O Chacal (delícia de filme)
  42. A lenda do cavaleiro sem cabeça
  43. Moulin Rouge
  44. Sociedade dos Poetas Mortos
  45. O sexto sentido
  46. Corpo fechado
  47. Dio Come Ti Amo


Leves

  1. A hora de voltar
  2. O fabuloso destino de Amélie Poulain
  3. O clã das adagas voadoras
  4. Peixe grande
  5. O estranho mundo de Jack
  6. Billy Elliot
  7. Maria Antonieta
  8. O gosto do chá
  9. Orgulho e preconceito
  10. A culpa é do Fidel
  11. O homem que copiava
  12. Quase famosos
  13. Queime depois de ler
  14. Pequena Miss Sunshine (há controvérsias se este é um filme leve, só sei que dei muita gargalhada no cinema, pra mim é comédia das boas!)
  15. Femme Fatale
  16. Um beijo roubado
  17. À deriva
  18. Uma história real
  19. A encantadora de baleias
  20. Língua
  21. Traquinagens
  22. Paris, te amo
  23. Close up
  24. Quero ser John Malkovich
  25. Entrevista com Vampiro (leve? saí do cinema tranquila...)
  26. Kill Bill (principalmente o primeiro, o segundo é melhor, porém mais desconfortante)
  27. A vila
  28. Vick Cristina Barcelona 
  29. O dia da transa

Os leves são os filmes que me permitem sair do cinema com o coração tranquilo, mas não sem uma boa reflexão sobre a vida ou a arte. Esses 76 filmes foram os que lembrei, mas tem mais, com certeza! E assim, permaneço com a consciência tranquila: não sou uma cinéfila mala, na verdade, sou uma cinéfila bem pipocona.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Um ensaio com diretores e atores


Estou exausta demais para querer esboçar qualquer transe, mesmo tendo algumas coisas-escritas-quase-prontas. Mas não quero deixar o blog no vácuo, então, vou falar o que me aconteceu hoje e que está relacionado ao cinema.

Aproveitei que estive no Centro do Rio e visitei alguns sebos à procura de dois livros que viraram filmes: O Diabo Veste Prada e Na Natureza Selvagem. Encontrei o primeiro livro e, casualmente, a edição de março de 2009 da revista Vanity Fair. Decidi comprar os dois. Eu queria ver o layout das páginas da revista estadunidense e quando abri, a primeira coisa que me chamou atenção foi a foto acima. Uma preciosidade. Fiquei vidrada na imagem por uns segundos, de forma quase hipnótica, ecoando em minha alma sussurros de uma língua que não consigo compreender, mas que me emociona e encanta: a poesia.

A hipnose foi quebrada por uma pergunta: de quem seria a foto? Mais uma folheada, outras fotos encantadoras e outro questionamento: seriam de Annie Leibovitz? Sim, eram da lendária fotógrafa, que recentemente me levou ao cinema, para ver um documentário sobre sua trajetória profissional e de vida, afinal, como o próprio título do filme diz, Annie Leibovitz vive através de suas lentes. E consegue dar alma às fotos.

Annie poderia ser minha Miranda Priestley, tamanha admiração que tenho por ela. E assim, misturo O Diabo Veste Prada – que já comecei a ler–, Meryl Streep e Annie Liebivitz.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A criada e a criatura


Apesar de assustador, o filme A Criada é excelente e não morde. A cena mostrada no cartaz é emblemática e óbvia sobre o monstro que há em nós.

O Aurélio, define a raiva como "grande aversão".  Sentir raiva poderia ser então, ter uma grande aversão a algo que lhe causa mal ou não satisfaz suas necessidades e desejos. Portanto, este deve ser um sentimento natural e benéfico que, assim como o prazer, serve de bússola e nos ajuda a direcionar a vida. No entanto, não sabemos usar nossas ferramentas naturais e transformamos a raiva em violência. Feroz, ela sai destruindo tudo e não nos tira do lugar.

Como animais que somos, agredimos quando nos sentimos acuados. E se alguém te mostra os dentes é porque sente-se ameçado. Nesse caso, o melhor a ser feito é não responder no mesmo tom, mas usar a racionalidade e a afetividade para sair do conflito e evitar mais atrito. É compreensível que se queira responder com a mesma irracionalidade e violência, pois somos animais. Mas a resposta raivosa será mais destrutiva que resoluta.

Aceitar a agressão, seja ela interna ou externa, não de forma submissa, mas buscando compreender a origem do problema, identificando sobre que insatisfação ela está pautada é a atitude que pode dissolver a raiva. A partir da compreensão da origem, pode-se tomar decisões mais acertadas. E muitas vezes sair fora é uma excelente solução.

"Ganhar ou perder, o que mais adoece?

Quem sabe se conter não irá se exaurir
Sendo assim, poderá viver longamente"

Tao Te Ching, 44

Ok, a teoria está escrita, agora, vamos à prática!