quarta-feira, 9 de março de 2011
Quarta-feira de cinzas
Gosto de deixar as portas entreabertas para garantir um possível retorno. Mas às vezes precisamos fechar, acabar as histórias, passar para uma nova fase. Depois de escrever para este blog regularmente por quase dois anos e deixar de escrever nele por quase seis meses, ficou claro para mim que acabou. Não que tenha passado a vontade de escrever, sempre penso que podia fazer um texto sobre esse ou aquele detalhe de um filme. Acontece que a vida exige prioridades e o cinema é só mais uma atividade, dentre tantas outras que tenho. Continuo indo ao cinema, continuo vendo coisas nos filmes que só eu vi, mas ando sem tempo de escrever sobre isso.
Guardarei este blog com carinho, pois foi o primeiro e foi muito importante começar a escrever na internet. O ganho pessoal foi enorme, por isso sentirei saudades.
Um abraço a quem me lê e até a próxima sessão!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Guesheft

A postagem de hoje está sendo burilada há um mês, procurei o trecho de Nova York, Eu te amo que eu queria, baixei uma legenda que não casava com o vídeo e fiz o melhor possível para sincronizar. Ainda não está bom, mas cheguei no meu limite e já dá para entender a conversa dos personagens. Tudo isso em homenagem a um amigo, ambos precisamos aprender a arte de negociar.
"Sagrado é o instante em que dois indivíduos fazem uso de sua consciência na tentativa de estabelecer uma troca que otimiza o ganho para os dois. (...) Só dois santos podem entrar em guesheft [negociação] com o máximo de ganho relativizado pelo máximo de ganho do outro e o mínimo de transtorno ou consumo para o universo. Este tipo de transação, que pressupõe a utilização não predatória e a satisfação das necessidades dos que interagem, instaura uma nova natureza. (...) onde os conceitos de justiça e a capacidade humana de 'perceber' o outro tentam introduzir a presença do sagrado na realidade" Nilton Bonder em A cabala do dinheiro
Tendo lido o livro do rabino por inteiro, depois ele vai falar sobre o Todo, sobre sermos Um, sermos indivisíveis – não há outro e não há eu. Entendo que no trecho acima, Nilton Bonder diz que quando duas pessoas conscientes da unidade do universo negociam, respeitando o sustento de cada parte envolvida, elas materializam a consciência do ser uno e colaboram para a ampliação dessa conscientização. Bonder acredita que um dia todos serão conscientes e haverá justiça. Espero que ele esteja certo.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Tal pai tal filha
Filha e Pai (Daughter and Father) é uma animação que eu conheço há muitos anos. Sem diálogos, é daquelas que te emocionam pela narrativa visual. Esse ano tive o prazer de conferir o curta na telona do Odeon, durante a sessão "O melhor dos 18 anos" em nosso querido festival.
Pensei: "ah! essa eu já conheço..."
E o mais surpreendente foi que, exatamente por eu já conhecer, logo na primeira cena me emocionei e comecei a chorar... chorei durante toda exibição. Um verdadeiro transe, uma cartarse – disse uma amiga. Resta-me compreender que emoção é essa que resgato, pois a história do filme parece-me completamente alheia a minha própria história. Aparentemente nunca vivi algo sequer similar.
Como dizem: as aparências enganam.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Anima Mundi 2010
Quarta fui na exibição de "Anima Mundi 18 anos", vi dois filmes que eu já conhecia, mas nunca tinha visto no cinema e foi divino! Dessa sessão só posso dizer que eu não gostei de Qualquer nota. Os demais foram excelentes! Destaco, por ter sido inédito para mim, o engraçadíssimo Lapsus, depois descobri ser do mesmo estúdio argentino que fez o ótimo filme publicitário Sexteens, que pode ser visto no site do diretor Juan Pablo Zaramella.

Sábado foi a vez da sessão "Curtas 10", também muito boa! O primeiro curta é lindo, chama-se Kinematograf, um filme polonês, cujo trailler pode ser visto nesse link. Acho uma pena que filmes tão belos não estejam disponíveis na internet, meus amigos dificilmente poderão assistir...



O outro destaque do "Curtas 10" é Der Da Vinci Timecode uma animação feita a partir de detalhes do afresco A Última Ceia de Da Vinci. Impressionante como se parte de algo estático e cria-se tensão, ruído e movimento dando a impressão que estamos diante daquele momento, que pela pintura parece tranquilo, mas na animação se torna um tumulto, um burburinho.

E por fim, gostei demais de Norit Krupi (da Letônia) que mostra uma população inteira de engolidores de sapo... veja um pequeno trecho aqui. Também excelente!

Na galeria, o que eu queria ver era uma animação feita a partir de imagens capturadas da janela de um trem. Senti uma sintonia com o meu projeto Transeunte, de fotos a partir da janela do ônibus. Assista Looploop aqui.

Enfim, para quem ainda puder ver o Anima Mundi 2010, recomendo essas sessões: Curtas 10 e Especial 18 anos.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Animação total
Estive vendo a programação e encontrei algumas coisas beeem interessantes:
SESSÕES ESPECIAIS
Anima Mundi 18 anos
Essa sessão é para ir de olhos fechados, rs rs s
Reuniram muito boas animações, a lista está abaixo.
Atama Yama
Father and Daughter (AMO!!!)
Guide Dog
Lapsus
Le Moine et le Poisson
Qualquer Nota
Ring of Fire
The Cat Came Back
The Old Man & the Sea (AMO!!!)
Vida Maria
Mostra África do Sul
Esta coleção de filmes animados da África do Sul é a primeira
do gênero e ressalta a diversidade dessa indústria crescente.
Uma compilação de videoclipes espirituosos, curtas-metragens
premiados e comerciais arrojados, que traz um pouco
do que há de melhor na animação da África do Sul, revelando
a variedade de estilos e estéticas dessa indústria nascida
em casa. Não é de modo algum uma mostra que inclui tudo.
Apenas dá uma noção do incrível talento que reflete as cores,
o caos e as contradições da vida na África do Sul.
Escolas de Animação
Três representantes de diferentes experiências internacionais
no ensino de animação:
Eric Riewer - Gobelins (França)
Marlene Nascimento - Curso de Imagem e Som da Universidade
de Buenos Aires (Argentina)
Maureen Furniss - CalArts (EUA)
Aproveitando estas presenças e para complementar o debate,
o festival exibe mostras selecionadas dos trabalhos finais
desenvolvidos por ex alunos destes centros de formação.
LONGAS
Boogie el Aceitoso
DIR.: Gustavo Cova; Gustavo Cova
PROD.: Gustavo Cova
Argentina Argentina - 2009
DUR.: 01:22:00
Boogie é um assassino frio e cruel que está sempre
em fuga. Um personagem machista e sádico que só
respeita suas próprias regras. Adaptação de uma
das histórias mais famosas do cartunista Roberto
Alfredo Fontanarrosa.
Mary and Max
DIR.: Adam Elliot
PROD.: Melanie Coombs
Austrália Australia - 2009
DUR.: 01:32:00
Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária de
oito anos, mora nos subúrbios de Melbourne. Max
Horovitz, um homem obeso e judeu de 44 anos com
Síndrome de Asperger, vive no caos de Nova York.
Uma história de amizade à distância que aborda o
autismo, o alcoolismo, de onde vem os bebês, a obesidade,
a cleptomania, a confiança, as diferenças religiosas,
e muito mais. Dos criadores de Harvie Krumpet.
PANORAMA
Documentário
Mesmo quando lança mão de grafismos abstratos e todos os recursos da imaginação, o filme de animação pode tratar da mais pura realidade. Às vezes até de forma mais eficiente e documental que as imagens fotográficas.
Essa mostra eu infelizmente não poderei assistir, mas gostaria muito. É instigante ver uma linguagem comumente associada à imaginação, à serviço da documentação.
Terror
A animação permite evocar, provocar ou sublimar todo tipo de emoção humana de forma penetrante e duradoura. Aqui reunimos trabalhos que lidam com medo, horror, repulsa, perversidade, sentimentos macabros, quase nunca suaves...
GALERIA
Seleção de filmes que desafiam e/ou inovam os formatos tradicionais, com experimentações no campo da estética, do roteiro e da percepção da linguagem da animação.
Essa é uma novidade que gostei muito!
Vários filmes exibidos continuamente no Centro Cultural dos Correios.
Além disso tudo, muitas outras coisas e a sempre imperdível sessão de premiação que rola no domingo. Mais informações sobre os filmes no catálogo nesse link. E a programação aqui.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Cinema e cursos

No próximo dia 17 termina meu curso de cinema e história da arte, Diálogos na Tela, que foi muito bom. Nele retornei ao estudo da arte, fui semanalmente para um espaço de exposições e voltei a ler sobre o tema. Tudo isso sem precisar desembolsar um real.
Com a proposta de ilustrar com filmes um período histórico da arte e depois complementar com palestras sobre o mesmo período, foi um curso enriquecedor. Esses projetos da Caixa Cultural do Rio estão muito bons e recomendo a todos.
Semana que vem vai começar um outro, de curtíssima duração, que me pareceu igualmente interessante: A literatura no cinema. O evento terá uma mostra com 29 adaptações literárias para o cinema, algumas mesas de debates com escritores, roteiristas e diretores, além de um curso de criação literária, roteiro e adaptação.
Se você tem interesse em fazer roteiros, essa parece ser uma oportunidade para aprender, trocar informações e experiências.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Aprendizados com Educação

quarta-feira, 16 de junho de 2010
Créditos de abertura favoritos
Sou admiradora de créditos de filmes, tanto finais quanto os de abertura. Já falei sobre o final de Quem Quer ser um Milionário e agora trago minha abertura favorita: Durval Discos, que começa de forma brilhante, mostrando um subúrbio paulista verossímil. Os créditos tiram partido da abundância de informação textual que existe num lugar como aquele e integra-se perfeitamente ao cenário. Há um jogo estimulante de reconhecimento, onde o espectador é desafiado a descobrir o que foi inserido na paisagem e o que faz parte dela. A integração entre a cena de abertura e o texto é perfeita, não existem quebras.
Antes de Durval Discos, minha abertura favorita era a de Quase Famosos, exatamente por essa integração da cena ao texto, mas enfraquece no final, deixando acontecer uma quebra. Os créditos foram divididos em duas partes: uma com os atores (é dessa que eu gosto) e outra com os créditos mais técnicos, onde o texto é sobreposto à cena inicial, sem novidade. Já o filme brasileiro abre mão dos créditos técnicos no início e mantém a integridade e a fluidez: Olé!
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Na Cidade de Sylvia
Na Cidade de Sylvia quase não tem diálogos, também não tem história. Sua narrativa é puramente visual e o extremo silêncio sutiliza as sensações provenientes da sonoridade. A lentidão em que tudo se passa é um convite à pausa, à contemplação... quanta beleza há na cidade, nas pessoas, no som da rua, no compasso do caminhar. A cidade de Sylvia é belíssima, as mulheres são encantadoras... não importa para onde a câmera olhe, há sempre uma imagem perfeita sendo capturada. Obviamente, esse olhar é idealizado e concretizado apenas na tela do cinema. Mas não importa... o que posso levar desse olhar para a Av. Rio Branco? Quando digo que desejo experimentar outros olhares vendo filmes, nisso cabem aqueles que são puramente estéticos, pra mim, isso é entretenimento, prazer e aprendizado.
A Mostra de Cinema Catalão começou nessa terça e conta com a presença do diretor José Luiz Guerin. Confira a programação e um trecho de En la ciudade de Sylvia abaixo.
Terça (01.06),
às 16h30m: “Cravan vs. Cravan”, de Isaki Lacuesta (2002).
Às 18h30m: “Inisfree”, de José Luiz Guerín (1990). Sessão apresentada pelo diretor.
Quarta (02.06),
às 17h: “Tren de sombras”, de José Luis Guerín (Espanha, 1998).
Às 19h: “Más allá del espejo”, de Joaquim Jordà (Espanha, 2006).
Quinta (03.06),
às 16h30m: “La terra habitada”, de Anna Sanmartí (2009).
Às 18h30m: “En construcción”, de José Luís Guerín (2001).
Sessão apresentada pelo diretor.
Sexta (04.06),
às 17h: “El Sastre”, de Óscar Pérez (2007); “Salve Melilla”, de Oscar Pérez (2006).
Às 19h: "En La Ciudade de Sylvia", de José Luís Guerín (2007).
Sábado (05.06),
às 15h30m: “De niños”, de Joaquin Jordà (2003).
Às 19h: “Unas fotos en la ciudad de Sylvia”, de José Luis Guerín (2007).
Sessão apresentada pelo diretor, seguida de debate com o diretor e Cao Guimarães.
Domingo (06.06),
às 15h30m: “Ich bin Enric Marco”, de Santiago Fillol e Lucas Vermal (2009).
Às 17h30m: “Paralelo 10”, de Andres Duque (2005); “Ivan Z”, de Andres Duque (2004).
Às 19h30m: “La leyenda del tiempo”, de Isaki Lacuesta (2006).
Os filmes não são recomendado para menores de 16 anos. Os ingresso custam R$ 4,00 a inteira.
O vídeo abaixo ficou cortado, por isso recomento sua visualização no próprio You Tube: clique aqui.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Por que vou ao cinema?

quarta-feira, 19 de maio de 2010
ser ou não ser...

Estou repensando minha cinefilia e entre as reflexões está a manutenção desse blog. Há 19 meses no ar, escrevendo quase toda semana, confesso que estou cansada. Não sei se é cansaço ou apenas uma fase de recolhimento. Acontece que entrei numa onda de muito forte: cinema às quartas, blogue às quartas e sábado um curso de história da arte com exibição de filmes. Acabou pesando para uma simples distração cinéfila. Trabalho, cuido de casa, tenho quatro gatos, família, amigos, blogues, exercito o corpo e está ficando difícil conciliar.
Não digo que acabou, mas por enquanto, estou me desobrigando da periodicidade...
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Histórias sobre o amor

Em contrapartida, outro homem encontra outra mulher...

Então, fica a dica: se você não gostou de 500 dias com ela, assista Apenas uma vez. E se você gostou do primeiro, vai gostar do segundo também.
Se quiser sentir o clima do filme, assista um trecho no vídeo abaixo e de quebra conheça a música que valeu um Oscar, por melhor canção original, composta pelos atores que também são músicos e foram responsáveis por toda trilha sonora.
Filme "Apenas uma vez" - cena da loja musical ("Once" movie - Music Store Scene) from Eduardo Loureiro Jr. on Vimeo.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Diálogos na Tela

Estou muito feliz por estar fazendo um curso de cinema e história da arte no Caixa Cultural!!! Funciona assim: cada sábado uma aula sobre um período histórico da arte, cada palestrante escolhe um filme para ser exibido antes da aula.
O primeiro filme foi 2001 Uma Odisséia no Espaço e o tema era arte rupestre. O segundo foi Desprezo, do Godard, seguido pela palestra sobre arte grega. No sábado em que o filme do Kubrick foi exibido, não pude ficar para a aula, mas me disseram que foi ótima, com o palestrante falando sobre as pinturas pré-históricas e a contemporânea arte de rua.
A aula sobre arte grega eu assisti e gostei bastante, o palestrante Ivair Reinaldim conseguiu traçar um panorama claro e amplo sobre o tema. É delicioso parar um pouco e visitar o passado, a aurora da civilização ocidental. Mas também é uma pena que por conta do número limitado de 16 encontros, muitas culturas acabem ficando de fora da mostra, como a arte egípicia, chinesa e persa, só para citar alguns exemplos que lembrei agora e considero interessantes para esse momento do curso.
Enfim, essa é uma excelente oportunidade de aprender e se divertir ao mesmo tempo! Quem quiser participar, basta tentar uma vaga através do e-mail (curso@modooperante.com.br) ou tentar a sorte no dia. Eu tentei a sorte e consegui desde o primeiro encontro, agora já estou inscrita. Mais informações você encontra no blog da mostra. O próximo filme será Gladiador e o tema é arte romana. Nos vemos lá! = ;-)
__________
P.S.: A foto que ilustra esse texto foi retirada do blog do evento.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Mais sombras que luz...

Obscuras são as raízes do Nazismo, assim como as cenas de A Fita Branca.
Imersos na escuridão de uma sociedade anterior à luz elétrica, no início da segunda década do século passado, uma comunidade rural alemã é retratada de forma belíssima. A ausência de cores reforça a sisudez de um povoado onde a alegria estava restrita a uma festa por ano, após a colheita. Esse foi um dos berços do nazismo e assim procura-se entender sua origem.

A rigidez na educação, a violência doméstica e a ausência total de afeto teriam levado os alemãs a construírem campos de concentração? A pergunta é parecida com: a pobreza gera a violência nas cidades? E segue-se: apenas a sociedade alemã era rígida daquela forma? Todos os pobres são violentos? Não, claro que não! Cada um reage de uma forma... a secura e a violência mostrada no filme alemão não é muito distante daquela vista em Abril Despedaçado, que se passa na mesma época no sertão brasileiro. Estou certa de que a educação dos meus avós não foi muito diferente também. Acho que é a mesma questão do filme A Onda, somos tão diferentes daqueles alemães?

Então, por que a Alemanha? Creio que a pergunta ainda não foi respondida. Talvez porque a explicação não seja simples nem confortável. Talvez a resposta nos leve a ver que não temos controle disso e que outros eventos como esse podem surgir — isso se acreditamos que não existem mais. Talvez a melhor pergunta seja apenas "por quê?". E ainda devemos satanizar os alemães, que viraram o Judas do século XX?
Foi com essas questões que saí do cinema no dia em que vi A Fita Branca. E agora uma amiga me mostrou esse texto, que expressa de forma embasada aquilo que eu apenas sinto. É longo, mas vale a leitura. Para quem ainda não viu o filme e prefere se preservar, o texto conta algumas cenas e vale a pena ver o filme antes de ler.
Reflexões à parte, o filme é uma obra de arte. Vale a pena ser visto no cinema.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Romances
Para não dizer que não falei de romances nesse mês de março, esse texto é dedicado às noivas que eu amo... as noivas de Tim Burton. Dentre elas, a que mais me impressionou foi a Mrs. Lovett, de Sweeney Todd, ela que sabe o que quer e luta por seu amado. Apesar da brutalidade da vida que viviam, Mrs. Lovett é uma sonhadora e faz planos, como qualquer mortal do sexo feminino. Uma prova disso é o trecho em que ela abre seu coração ao amado barbeiro, que atentamente compartilha seus sonhos.
quarta-feira, 10 de março de 2010
E a vida nos ensina...

Eu esperava mais dela, uma menina de 16 anos, no início da década de 60, cheia de dúvidas em relação à utilidade da educação feminina. Mesmo sendo uma aluna inteligente, a melhor de sua turma, prestes a ingressar na Universidade de Oxford. Ela não conseguia se desvencilhar do destino óbvio de todas as mulheres, que no final das contas parecia dar no mesmo lugar: marido e filhos.

Hoje as mulheres são independentes, possuem emprego, carro, casa e pagam suas contas. As coisas parecem diferentes. Elas não duvidam mais da necessidade de fazer uma graduação e construir uma carreira. Somos independentes! Ou quase... no dia-a-dia ainda lutamos por um lugar ao sol em território afetivo, vivemos num campo emocional minado e qualquer passo em falso pode detonar uma bomba que deixa a mulher em frangalhos.

Achamos óbvia a necessidade de encontrar um homem que queira dedicar a vida dele a uma família que nos inclua. Apostamos nos filhos e contruímos nosso sonho romântico. Mas os homens possuem uma mobilidade maior, conseguem sair das relações menos feridos e abdicam de boa parte da educação dos filhos, mesmo casados. Assim, as mulheres cursam uma graduação, constroem uma carreira e no final tudo vai dar no mesmo lugar: ex-marido e filhos.
Por isso, hoje dedico esse texto às mulheres e desejo a todas nós independência afetiva.
quarta-feira, 3 de março de 2010
A queda

Resistir ou render-se? Eis a minha questão diante do filme "A Queda – As últimas horas de Hitler", que em Portugal recebeu o nome de "A Queda – Hitler e o Fim do Terceiro Reich" e achei mais coerente com a narrativa, que não se prende ao ditador, mostrando os últimos dias da resistência Alemã em Berlim. Portanto, é um filme que fala também sobre a força, moral, lógica e fragilidades do ato de resistir.
Somos criados para ser fortes, não ceder e lutar. Se vamos mal numa prova, tentamos outra vez e não desistimos. Isso é bom! Existem pessoas que tentam durante anos a mesma prova... isso é bom? Tenho minhas dúvidas. Não seria melhor aceitar a incapacidade e a fragilidade, buscando uma oportunidade mais favorável? O problema com a resistência é quando ela se torna obstinada e inflexível. Não se passa anos na terapia aprendendo a perde de vez em quando? As perdas são saudáveis!
Não queremos ser frágeis, mas a força reside no ato de admitir a fragilidade, aceitar que somos dependentes, que temos limites, que nenhuma situação é eterna, que o topo é só um estágio passageiro. É nesse ponto que a resistência torna-se um câncer que a tudo destrói.
"Se não podemos viver sem limites, também não podemos viver dentro de limites sufocantes. Assim, é preciso limitar até as Limitações." e "Quando um caminho termina, convém aceitar com serenidade o novo rumo que está se configurando." Alayde Mutzenbecher – I Ching, hexagrama 60
Sigo na luta pela fragilidade, pela aceitação dos meus limites e incapacidades externas.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Como transformar vida em poesia
Moça com brinco de pérola tocou nesse ponto e me encantou, na verdade me extasiou com a sensibilidade com que mostra o prazer que a arte pode proporcionar. A paixão pela luz, pelas cores, composição, tintas... e pelas formas naturalmente belas. O amor compartilhado pelos protagonistas é o envolvimento que ambos tinham com o ofício da pintura. E essa é uma linda história de amor. (Confira um trecho dessa bela paixão aqui).

Foi impossível não me encantar pelo azul e amarelo utilizado por Vermeer ao retratar a moça. Não apenas pelo efeito que causa na pintura, mas também pelo entusiasmo mostrado entre a aquisição do pigmento e sua fixação na tela. Que alquimia deliciosa!
Para mim o filme é uma pintura em movimento, não por ser um vídeo e ter uma fotografia exuberante, mas pela forma como exibe o possível processo de criação de uma pintura que transcendeu no tempo.
O trajeto desenhado pelo tempo entre a pintura e o filme também é bonito: um homem retrata uma jovem com paixão, três séculos depois uma mulher se encanta pela obra e desconhecendo a história da moça, decide criá-la através da literatura. Finalmente, o livro é adaptado ao cinema.
Sugestão: baixe o papel de parede do quadro aqui, e apaixone-se se for capaz.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Minha fantasia de Carnaval
Bem, aqui já encarno a Amelie Poulain por seu espírito sonhador, mas em momento algum eu quis ser ela. Gosto das personagens fortes. Minha fantasia favorita seria a carrancuda, calada e muito eficiente Trinity de Matrix. Ela sim! É uma fantasia e tanto!
Desde os primeiros minutos do filme, logo após o agente Smith dizer que os policiais já estavam mortos ao tentarem encurralar aquela mocinha, ela me encantou numa sequência onde Trinity, aparentemente num beco sem saída, agride os policiais num balé aéreo memorável, foge pela janela, corre pelos telhados, pula entre prédios, se joga numa janelinha minúscula para cair já de arma em punho e conseguir fugir. Pronto! O filme já tinha me ganhado, e a partir dali meus esforços seriam compreender como ela conseguia fazer aquilo tudo, que lógica havia na trama.



Trinity é uma personagem feminina forte, objetiva, consciente de sua capacidade, séria em sua missão, mas sem perder capacidade de amar. É lamentável que as sequências de Matrix tenham acabado com tudo, inclusive com a magia dela. Pra mim, só existiu um filme chamado Matrix, os demais foram produtos da Matrix.





