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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Histórias sobre o amor

Um homem encontra uma mulher...








O título desse texto não é original, foi extraído de uma das primeiras frases do filme 500 dias com ela: "Esta não é uma história de amor. Esta é uma história sobre amor". Disseram-me que este era um romance diferente e intrigante, que te fazia pensar. Assisti acreditando até o último minuto que algo me surpreenderia, mas pelo contrário, vi muitos clichês – inclusive o do homem apaixonado (por quem todas as mulheres reais vão suspirar) e uma mulher objetiva (bem do jeito que os homens gostariam – Será?). Inverter o padrão do comportamento masculino e feminino não é novidade... dizer que se você não encontrou seu amor é porque não observa bem a paisagem... também não. Colocar as mulheres como mais maduras que os homens... risível. Enfim, minhas expectativas sobre o que seria dito sobre o amor foram muito maiores e a frustração foi certa, como ilustrado de forma inteligente na cena da imagem abaixo. A virtude do filme está nas qualidades técnicas: montagem, direção de arte e trilha sonora, que são ótimas.




Em contrapartida, outro homem encontra outra mulher...




Depois de me decepcionar com 500 dias com ela, caiu em minhas mãos o filme Apenas uma vezOnce, no original. Uma deliciosa surpresa pela forma delicada que consegue falar sobre o amor e nos fazer refletir. Um filme leve, com uma história inteligente e simples.



Então, fica a dica: se você não gostou de 500 dias com ela, assista Apenas uma vez. E se você gostou do primeiro, vai gostar do segundo também.

Se quiser sentir o clima do filme, assista um trecho no vídeo abaixo e de quebra conheça a música que valeu um Oscar, por melhor canção original, composta pelos atores que também são músicos e foram responsáveis por toda trilha sonora.



Filme "Apenas uma vez" - cena da loja musical ("Once" movie - Music Store Scene) from Eduardo Loureiro Jr. on Vimeo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Chanel e seus amores


Não sei se fiquei com o meu feminismo ferido ou se perdi o mito da mulher poderosa, mas senti que Coco Chanel é magnânima demais para ser descrita por suas desilusões amorosas.

Eu esperava ver mais do trabalho dela e menos dos romances. Fiquei frustrada... esse hábito de não ler sinopses e críticas antes de assistir um filme possui certos efeitos colaterais. O único ponto positivo do filme, na minha opinião, foi a caracterização e atuação de Audrey Tautou, que não chega aos pés de Amelie, mas foi bem.

Ouvi dizer que Simone Bovary, no livro O segundo sexo, escreve que pode contar sua história através dos romances que teve. Não li o livro, não posso emitir opinião nem saber em que contexto a frase está... estou lendo e se eu encontrar algo, acrescento aqui. Sim, fui ler para confrontar meu feminismo de latinha. Ano passado li O Amante de Maguerite Duras, que conta parte da vida da autora e seu pensamento libertário através de uma relação afetiva. Apesar do romance descrito, o livro não é sobre o romance, mas sobre a trajetória de uma vida e a evolução das ideias através das experiências vividas de forma aleatória, não planejada.

Já o filme sobre Coco Chanel não tem ideias, as que surgem brotam de forma tão estaparfúrdia que parecem banais e fáceis. Enfim... não gostei. Terminei de ver o filme louca de vontade de ler mais sobre a estilista revolucionária. Nos blogues da vida encontrei o livro abaixo... Alguma outra sugestão de leitura, documentário e coisas do gênero?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Do Começo ao Fim, um comercial de margarina!


O primeiro indício foi um humor desfavorável do Janot, valorizo a opinião dele porque costuma bater com a minha. Não gosto de ler opinião nenhuma antes de ver um filme, apenas percebo o clima da crítica,  e mesmo com a decepção do Janot, eu queria ver o filme.

Quando cheguei ao cinema, fiquei satisfeita porque a sala estava quase lotada, coisa que eu não esperava num filme brasileiro tão controverso e sem muito apoio. Depois fiquei pensando se a tal falta de apoio que foi divulgada não seria uma jogada de marketing...

Já na sala, senti falta dos heterossexuais. Não por homofobia, mas porque se não somos preconceituosos, por que heteros não assistem filmes sobre gays? Não entendo! 

Mas enfim... comercial de margarina do começo ao fim. Todos se amam desde o início, são felizes, se respeitam, aceitam as diferenças e decisões do outro. Os diálogos foram escritos através de sorteio de clichês. As cenas, também são clichês. E se você viu o trailer, já sabe a história toda. Altamente previsível, aliás, parece que 80% dos diálogos estão no trailer!

Pronto, critiquei!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ainda sobre Benjamim Button

Devo dizer que depois de ver o filme e ler o conto, tive certeza que são coisas diferentes. O conto de Fitzgerald faz uma sátira com esse desejo idílico do ser humano, de ter maturidade e juventude ao mesmo tempo, e mostra que como o sol e a lua, esses dons não caminham na mesma direção — de nada adiantaria inverter sua ordem.

Já o filme tem uma forte mensagem de que, na vida, nada está fora do lugar, tudo acontece no tempo certo. Aquilo que parecia perdido, só não estava amadurecido o suficiente e em breve poderá dar frutos. Também fala que estamos amadurecidos no momento mais rico de nossas vidas, onde podemos ver nossos frutos crescerem e andar com as próprias pernas. Eu o resumiria no texto bíblico:

“Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer;
tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar;
tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras;
tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder;
tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser;
tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar;
tempo de guerra, e tempo de paz.”
Eclesiastés 3

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O curioso caso de Fitzgerald













Um homem sentado em sua poltrona favorita questiona-se como seria a vida se nascêssemos velhos e fôssemos rejuvenescendo. Depois, e até mesmo antes, muitos outros pensaram a mesma coisa. Dentre eles, haviam aqueles que desejam escrever e pensaram em transformar essa idéia num conto. Provavelmente alguns começaram, outros terminaram, mas a vida foi favorável a um deles e o livro sonhado chegou às mãos dos leitores — homens e mulheres que se dedicavam a coisas diversas, dentre elas, o cinema. E assim, o destino favoreceu àquele pensamento ingênuo do escritor na poltrona de casa, numa tarde ou manhã qualquer do ano; cujo esforço levou-o a ver sua história publicada em forma de livro e agora, mesmo sem saber, ser lançado nos cinemas e indicado à 13 categorias do Oscar... esse homem chama-se F. Scott Fitzgerald.

Sobre o conto escrevi.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Nada acontece...


















Semana passada foi um festival de indicações: melhores e piores cartazes de 2008, Oscar e Framboesa de Ouro. E o que mais me empolgou nisso tudo foi a sensacional indicação à quatro Framboesa para o Fim dos Tempos, último filme de Shyamalan. Confesso despudoradamente que torço por ele!

Depois de fazer excelentes filmes – O Sexto Sentido, Corpo Fechado e A Vila – eu esperava qualquer coisa de Shyamalan. Ele poderia passar dez anos sem lançar nada, poderia não fazer mais filmes e seu nome listaria entre meus favoritos. Mas decepcionar dessa maneira ridícula, tendo uma excelente idéia na cabeça e grana suficiente para elaborar melhor o filme... isso ele não podia fazer. Inclusive porque já tinha dois precedentes: sinais e A dama na Água. Errar feio pela terceira vez indica um desejo incontrolável de ganhar dinheiro e uma falta de compromisso com a qualidade do trabalho.

As indicações foram: pior filme, diretor, roteiro e ator para Mark Wahlberg.

O cartaz que ilustra esse texto foi redesenhado por Holy Taco para ser mais honesto.

E se você quer ler um blog interessante sobre cinema e design, leia este aqui!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Minha vida sem mim

O título desse filme me encantou. Soou-me tão poético. Imaginei um mundo colorido, repleto de prazeres, alegrias, danças, sorrisos... e dentro dele alguém tão anestesiado que não consegue perceber essa beleza toda.



Pensei nas tantas coisas que podem ter passado diante dos meus olhos, sem que eu tenha percebido. Sou tão distraída, tão alucinada e fechada no meu “infinito particular”, que provavelmente já deixei de viver muitas coisas.


“O tempo passou na janela
Só Carolina não viu.”


Enfim, vi o filme, decepcionei-me, descobri que a proposta do filme é bem diferente do que eu tinha imaginado e acho que a história que criei melhor. Mas, por via das dúvidas, peguei o gancho e fiz minha lista das coisas que preciso fazer antes de morrer. Lembrando que posso morrer amanhã, melhor me dedicar a fazê-las hoje e sempre!

1. Amar-me como sou
2. Cuidar bem de mim
3. Dizer às pessoas o quanto elas são importantes pra mim
4. Ser afetuosa e carinhosa
5. Apreciar o dia, seja ele de sol ou chuva
6. Apreciar o movimento da vida: natureza, pessoas, cidade...
7. Viver cada minuto do presente
8. Pedir desculpas
9. Não perder tempo sonhando ou dormindo em excesso
10. Aceitar a vida como ela é
11. Aceitar as pessoas como elas são
12. Amar, ser amada e sorrir


Foto: minha vida comigo, em Penedo, sentindo a grama sedosa e apreciando a beleza das flores.

Página do filme no Adoro Cinema.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Meu nome não é 171

Essa história dava um caldo melhor..












Meu nome não é Johnny
parece ingênuo como os meus anos 80. Espero que os jovens de hoje não se deixem levar por esse conto da Carochinha, porque a ingenuidade tem seu preço e, nesse caso, pode ser alto demais.

Se você não viu o filme, melhor não ler o texto de hoje, tem um monte de spoiler.

Talvez a ingênua seja eu. Pode ser que um jovem, de classe média carioca, consiga realmente se viciar sem nenhum transtorno. E como prêmio por sua honradez, passe a vender drogas pra pagar as festinhas e a diversão com os amigos. Isso, repito, sem efeito colateral algum! É possível que tubarões do tráfico sejam caras solícitos, que oferecem sua mercadoria a pessoas expansivas e fazem convites simpáticos para passear pela Europa, com trouxinhas embaixo do braço e todas as facilidades do mundo.

Incluído no pacote de boas perspectivas, há o amor, a pessoa ideal que surge inesperadamente e convive na insegurança do dia-a-dia sem maiores problemas, mesmo com quilos de droga dentro de casa, pouca infra-estrutura e pertubações de viciados na portaria do prédio. Mas nada impede a felicidade, apenas o ciúme atormenta o casal.

Acredito que aconteça do mocinho descobrir que está sendo chamado de bandido e ter a chance de provar, aos olhos da justiça, que de vilão ele não tem nem o nome. Desse modo, talvez consiga salvar seus amigos e se torne um herói.

Por fim, pode ser que alguém saia da cadeia sem máculas e que o sistema penitenciário o ajude a mudar. Sim, tudo é possível! Pois bem, o Natal tá chegando e vou escrever minha cartinha destinada ao Pólo Norte. Quem sabe ganho a casinha dos meus sonhos...

Esse mundo eu podia imaginar nos anos 80, antes dos meus vinte anos. Agora não dá mais. Mas quem sou eu pra dizer isso... Diga você: ingênuo o filme ou ingênua eu?