quarta-feira, 14 de abril de 2010

Histórias sobre o amor

Um homem encontra uma mulher...








O título desse texto não é original, foi extraído de uma das primeiras frases do filme 500 dias com ela: "Esta não é uma história de amor. Esta é uma história sobre amor". Disseram-me que este era um romance diferente e intrigante, que te fazia pensar. Assisti acreditando até o último minuto que algo me surpreenderia, mas pelo contrário, vi muitos clichês – inclusive o do homem apaixonado (por quem todas as mulheres reais vão suspirar) e uma mulher objetiva (bem do jeito que os homens gostariam – Será?). Inverter o padrão do comportamento masculino e feminino não é novidade... dizer que se você não encontrou seu amor é porque não observa bem a paisagem... também não. Colocar as mulheres como mais maduras que os homens... risível. Enfim, minhas expectativas sobre o que seria dito sobre o amor foram muito maiores e a frustração foi certa, como ilustrado de forma inteligente na cena da imagem abaixo. A virtude do filme está nas qualidades técnicas: montagem, direção de arte e trilha sonora, que são ótimas.




Em contrapartida, outro homem encontra outra mulher...




Depois de me decepcionar com 500 dias com ela, caiu em minhas mãos o filme Apenas uma vezOnce, no original. Uma deliciosa surpresa pela forma delicada que consegue falar sobre o amor e nos fazer refletir. Um filme leve, com uma história inteligente e simples.



Então, fica a dica: se você não gostou de 500 dias com ela, assista Apenas uma vez. E se você gostou do primeiro, vai gostar do segundo também.

Se quiser sentir o clima do filme, assista um trecho no vídeo abaixo e de quebra conheça a música que valeu um Oscar, por melhor canção original, composta pelos atores que também são músicos e foram responsáveis por toda trilha sonora.



Filme "Apenas uma vez" - cena da loja musical ("Once" movie - Music Store Scene) from Eduardo Loureiro Jr. on Vimeo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Diálogos na Tela



Estou muito feliz por estar fazendo um curso de cinema e história da arte no Caixa Cultural!!! Funciona assim: cada sábado uma aula sobre um período histórico da arte, cada palestrante escolhe um filme para ser exibido antes da aula.

O primeiro filme foi 2001 Uma Odisséia no Espaço e o tema era arte rupestre. O segundo foi Desprezo, do Godard, seguido pela palestra sobre arte grega. No sábado em que o filme do Kubrick foi exibido, não pude ficar para a aula, mas me disseram que foi ótima, com o palestrante falando sobre as pinturas pré-históricas e a contemporânea arte de rua.

A aula sobre arte grega eu assisti e gostei bastante, o palestrante Ivair Reinaldim conseguiu traçar um panorama claro e amplo sobre o tema. É delicioso parar um pouco e visitar o passado, a aurora da civilização ocidental. Mas também é uma pena que por conta do número limitado de 16 encontros, muitas culturas acabem ficando de fora da mostra, como a arte egípicia, chinesa e persa, só para citar alguns exemplos que lembrei agora e considero interessantes para esse momento do curso.

Enfim, essa é uma excelente oportunidade de aprender e se divertir ao mesmo tempo! Quem quiser participar, basta tentar uma vaga através do e-mail (curso@modooperante.com.br) ou tentar a sorte no dia. Eu tentei a sorte e consegui desde o primeiro encontro, agora já estou inscrita. Mais informações você encontra no blog da mostra. O próximo filme será Gladiador e o tema é arte romana. Nos vemos lá! = ;-)


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P.S.: A foto que ilustra esse texto foi retirada do blog do evento.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Mais sombras que luz...


Obscuras são as raízes do Nazismo, assim como as cenas de A Fita Branca.

Imersos na escuridão de uma sociedade anterior à luz elétrica, no início da segunda década do século passado, uma comunidade rural alemã é retratada de forma belíssima. A ausência de cores reforça a sisudez de um povoado onde a alegria estava restrita a uma festa por ano, após a colheita. Esse foi um dos berços do nazismo e assim procura-se entender sua origem. 

A rigidez na educação, a violência doméstica e a ausência total de afeto teriam levado os alemãs a construírem campos de concentração? A pergunta é parecida com: a pobreza gera a violência nas cidades? E segue-se: apenas a sociedade alemã era rígida daquela forma? Todos os pobres são violentos? Não, claro que não! Cada um reage de uma forma... a secura e a violência mostrada no filme alemão não é muito distante daquela vista em Abril Despedaçado, que se passa na mesma época no sertão brasileiro. Estou certa de que a educação dos meus avós não foi muito diferente também. Acho que é a mesma questão do filme A Onda, somos tão diferentes daqueles alemães?

Então, por que a Alemanha? Creio que a pergunta ainda não foi respondida. Talvez porque a explicação não seja simples nem confortável. Talvez a resposta nos leve a ver que não temos controle disso e que outros eventos como esse podem surgir — isso se acreditamos que não existem mais. Talvez a melhor pergunta seja apenas "por quê?". E ainda devemos satanizar os alemães, que viraram o Judas do século XX?

Foi com essas questões que saí do cinema no dia em que vi A Fita Branca. E agora uma amiga me mostrou esse texto, que expressa de forma embasada aquilo que eu apenas sinto. É longo, mas vale a leitura. Para quem ainda não viu o filme e prefere se preservar, o texto conta algumas cenas e vale a pena ver o filme antes de ler.

Reflexões à parte, o filme é uma obra de arte. Vale a pena ser visto no cinema.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Romances




Para não dizer que não falei de romances nesse mês de março, esse texto é dedicado às noivas que eu amo... as noivas de Tim Burton. Dentre elas, a que mais me impressionou foi a Mrs. Lovett, de Sweeney Todd, ela que sabe o que quer e luta por seu amado. Apesar da brutalidade da vida que viviam, Mrs. Lovett é uma sonhadora e faz planos, como qualquer mortal do sexo feminino. Uma prova disso é o trecho em que ela abre seu coração ao amado barbeiro, que atentamente compartilha seus sonhos.




Outro casal muito romântico é Sally e Jack de O Estranho Mundo de Jack. Uma noiva atenciosa que faz de tudo para auxiliar seu amado, mesmo sem a autorização dele. Eu penso assim: somos todos uns monstrinhos, mas tudo que buscamos é amar e ser amado. Então, viva o romance!




E para provar que eu acredito no amor... deixo vocês com uma cena memorável de Clube da Luta (é spoiler) onde "Jack" diz para Marla que ela entrou na vida dele numa época complicada, mas que agora ele está bem e que é para ela confiar nele, que tudo ficará bem. E eu confio nele!! Apesar do desfecho da cena...




Mesmo nessa confusão, sei que apenas quando não sabemos bem o que fazer é que temos oportunidade de transformar... nesse ponto sou esperançosa.

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P.S.: passei duas semanas apanhando nesse blog pra conseguir adicionar os vídeos... que surra! Isso é para eu explicar a ausência da semana passada e o atraso nessa. Mas eu queria muito colocar minhas noivinhas amadas! E agora já sei como fazer essa coisa funcionar.

quarta-feira, 10 de março de 2010

E a vida nos ensina...

Na semana dia Dia Internacional da Mulher, decidi escrever sobre o último filme que me tocou na questão femina: Educação. Confesso que saí do cinema meio embrulhada, desconfiada que no dia seguinte eu tivesse uma opinião melhor sobre o filme, mas naquela noite ele não me caiu bem. Sorte que eu estava com amigos, que me sinalizaram uma exigência demasiada em relação à protagonista.

Eu esperava mais dela, uma menina de 16 anos, no início da década de 60, cheia de dúvidas em relação à utilidade da educação feminina. Mesmo sendo uma aluna inteligente, a melhor de sua turma, prestes a ingressar na Universidade de Oxford. Ela não conseguia se desvencilhar do destino óbvio de todas as mulheres, que no final das contas parecia dar no mesmo lugar: marido e filhos.

Hoje as mulheres são independentes, possuem emprego, carro, casa e pagam suas contas. As coisas parecem diferentes. Elas não duvidam mais da necessidade de fazer uma graduação e construir uma carreira. Somos independentes! Ou quase... no dia-a-dia ainda lutamos por um lugar ao sol em território afetivo, vivemos num campo emocional minado e qualquer passo em falso pode detonar uma bomba que deixa a mulher em frangalhos.

Achamos óbvia a necessidade de encontrar um homem que queira dedicar a vida dele a uma família que nos inclua. Apostamos nos filhos e contruímos nosso sonho romântico. Mas os homens possuem uma mobilidade maior, conseguem sair das relações menos feridos e abdicam de boa parte da educação dos filhos, mesmo casados. Assim, as mulheres cursam uma graduação, constroem uma carreira e no final tudo vai dar no mesmo lugar: ex-marido e filhos. 

Por isso, hoje dedico esse texto às mulheres e desejo a todas nós independência afetiva.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A queda



Resistir ou render-se? Eis a minha questão diante do filme "A Queda – As últimas horas de Hitler", que em Portugal recebeu o nome de "A Queda – Hitler e o Fim do Terceiro Reich" e achei mais coerente com a narrativa, que não se prende ao ditador, mostrando os últimos dias da resistência Alemã em Berlim. Portanto, é um filme que fala também sobre a força, moral, lógica e fragilidades do ato de resistir. 

Somos criados para ser fortes, não ceder e lutar. Se vamos mal numa prova, tentamos outra vez e não desistimos. Isso é bom! Existem pessoas que tentam durante anos a mesma prova... isso é bom? Tenho minhas dúvidas. Não seria melhor aceitar a incapacidade e a fragilidade, buscando uma oportunidade mais favorável? O problema com a resistência é quando ela se torna obstinada e inflexível. Não se passa anos na terapia aprendendo a perde de vez em quando? As perdas são saudáveis!

Não queremos ser frágeis, mas a força reside no ato de admitir a fragilidade, aceitar que somos dependentes, que temos limites, que nenhuma situação é eterna, que o topo é só um estágio passageiro. É nesse ponto que a resistência torna-se um câncer que a tudo destrói.

"Se não podemos viver sem limites, também não podemos viver dentro de limites sufocantes. Assim, é preciso limitar até as Limitações." e "Quando um caminho termina, convém aceitar com serenidade o novo rumo que está se configurando." Alayde Mutzenbecher – I Ching, hexagrama 60

 Sigo na luta pela fragilidade, pela aceitação dos meus limites e incapacidades externas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Como transformar vida em poesia

Um dos prazeres que mais prezo é o que podemos sentir por um ofício. Amo meu trabalho e não consigo me imaginar sem essa paixão. Posso me ver amando outro ofício, mas jamais trabalhar sem amor. Não importa a profissão: educador, pesquisador, jornalista, engenheiro... designer ou pintor. A alegria que surge do fazer transforma a vida em poesia.

Moça com brinco de pérola tocou nesse ponto e me encantou, na verdade me extasiou com a sensibilidade com que mostra o prazer que a arte pode proporcionar. A paixão pela luz, pelas cores, composição, tintas... e pelas formas naturalmente belas. O amor compartilhado pelos protagonistas é o envolvimento que ambos tinham com o ofício da pintura. E essa é uma linda história de amor. (Confira um trecho dessa bela paixão aqui).





Foi impossível não me encantar pelo azul e amarelo utilizado por Vermeer ao retratar a moça. Não apenas pelo efeito que causa na pintura, mas também pelo entusiasmo mostrado entre a aquisição do pigmento e sua fixação na tela. Que alquimia deliciosa!

Para mim o filme é uma pintura em movimento, não por ser um vídeo e ter uma fotografia exuberante, mas pela forma como exibe o possível processo de criação de uma pintura que transcendeu no tempo.

O trajeto desenhado pelo tempo entre a pintura e o filme também é bonito: um homem retrata uma jovem com paixão, três séculos depois uma mulher se encanta pela obra e desconhecendo a história da moça, decide criá-la através da literatura. Finalmente, o livro é adaptado ao cinema.

Sugestão: baixe o papel de parede do quadro aqui, e apaixone-se se for capaz.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Minha fantasia de Carnaval

Está rolando, entre as minhas amigas do facebook, uma brincadeira para o Carnaval: cada um coloca na foto do perfil um retrato de famoso com que se parece. Assim, cada um se fantasiaria virtualmente. Essa é uma prática bastante comum no universo digital. Nos blogues, chats e redes sociais da vida você pode ser quem quiser. Daí os avatares...

Bem, aqui já encarno a Amelie Poulain por seu espírito sonhador, mas em momento algum eu quis ser ela. Gosto das personagens fortes. Minha fantasia favorita seria a carrancuda, calada e muito eficiente Trinity de Matrix. Ela sim! É uma fantasia e tanto!

Desde os primeiros minutos do filme, logo após o agente Smith dizer que os policiais já estavam mortos ao tentarem encurralar aquela mocinha, ela me encantou numa sequência onde Trinity, aparentemente num beco sem saída, agride os policiais num balé aéreo memorável, foge pela janela, corre pelos telhados, pula entre prédios, se joga numa janelinha minúscula para cair já de arma em punho e conseguir fugir. Pronto! O filme já tinha me ganhado, e a partir dali meus esforços seriam compreender como ela conseguia fazer aquilo tudo, que lógica havia na trama.









Trinity é uma personagem feminina forte, objetiva, consciente de sua capacidade, séria em sua missão, mas sem perder capacidade de amar. É lamentável que as sequências de Matrix tenham acabado com tudo, inclusive com a magia dela. Pra mim, só existiu um filme chamado Matrix, os demais foram produtos da Matrix.