quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Delete depois de ler












Um ex-funcionário da CIA, que deseja bombardear o mercado editorial com importantes informações confidencias. Um policial federal, que entende tudo de mulheres e sabe como se relacionar com elas. Uma esposa frustrada, que encontra a solução de seus problemas conjugais. Uma mulher que conhece bem seus limites e sabe como superá-los. Um professor de academia esperto, que sabe de tudo. Misture bem e faça um coquetel de sabichões, como nós, como eu, que me meto a escrever nesse blog sobre tudo que sei sobre mim e o cinema. Sei? Não sei. Não sabemos de nada...

“O que aprendemos com tudo isso? Acho que nada...”

Sem dúvida, uma boa comédia, que me fez rir da idiota pretensão humana, que pensa saber de tudo ou que sabe de coisas importantes, que é bom no que faz, que toma as melhores decisões e que vai resolver a vida em dois tempos. Vaidades das vaidades, já dizia Salô.

E assim me despeço, na certeza do dever cumprido e de posse da sabedoria superior, de mestres e filósofos: “Só sei que nada sei”.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Minha vida sem mim

O título desse filme me encantou. Soou-me tão poético. Imaginei um mundo colorido, repleto de prazeres, alegrias, danças, sorrisos... e dentro dele alguém tão anestesiado que não consegue perceber essa beleza toda.



Pensei nas tantas coisas que podem ter passado diante dos meus olhos, sem que eu tenha percebido. Sou tão distraída, tão alucinada e fechada no meu “infinito particular”, que provavelmente já deixei de viver muitas coisas.


“O tempo passou na janela
Só Carolina não viu.”


Enfim, vi o filme, decepcionei-me, descobri que a proposta do filme é bem diferente do que eu tinha imaginado e acho que a história que criei melhor. Mas, por via das dúvidas, peguei o gancho e fiz minha lista das coisas que preciso fazer antes de morrer. Lembrando que posso morrer amanhã, melhor me dedicar a fazê-las hoje e sempre!

1. Amar-me como sou
2. Cuidar bem de mim
3. Dizer às pessoas o quanto elas são importantes pra mim
4. Ser afetuosa e carinhosa
5. Apreciar o dia, seja ele de sol ou chuva
6. Apreciar o movimento da vida: natureza, pessoas, cidade...
7. Viver cada minuto do presente
8. Pedir desculpas
9. Não perder tempo sonhando ou dormindo em excesso
10. Aceitar a vida como ela é
11. Aceitar as pessoas como elas são
12. Amar, ser amada e sorrir


Foto: minha vida comigo, em Penedo, sentindo a grama sedosa e apreciando a beleza das flores.

Página do filme no Adoro Cinema.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O fabuloso destino...


















O tempo passa, a criança cresce... mas volta e meia ainda sonhamos com algum fabuloso destino, não muito diferente de Amelie Poulain. Feito criança, idealizamos. Muitas vezes nos frustramos, na maioria delas fugimos de nosso destino. Este filme nos aponta o caminho para o conto de fadas realizar-se: sonhar é fundamental, mas a realização depende do quanto vivemos no presente.

“Viver é melhor que sonhar”

Passado e futuro são frutos da mente. Nossas lembranças são fragmentos do vivido, as idealizações são esboços do que virá. Só o presente é real, só ele é capaz de nos proporcionar felicidade, nele está o corpo, nele há prazer.

Se o passado já foi e o futuro é uma ilusão, pra onde estamos indo?
“Estamos indo para o presente”

Precisamos não deixar o bonde passar, devemos embarcar no trem fantasma, mesmo com um medo danado. Porque O fabuloso destino de Amelie Poulain bateu na porta dela, mas isso raramente acontece.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

300 imagens

A beleza dessas imagens falam mais que mil caracteres, como hoje estou assoberbada, deixarei no meu blog algumas cenas que me emocionaram pela plasticidade e perfeita adaptação dos quadrinhos à tela. De arte pra arte.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O gosto do chá


Saborear a vida nos pequenos detalhes. Respeitar as direnças de cada ser, observá-los como uma requintada e preciosa obra de arte. Contemplação do dia-a-dia, sua beleza e conflitos. O cotidiano simples, sem grandes acontecimentos, mas com muita poesia, carinho e cuidado. Assim vivia a família retratada em O gosto do chá. Cada um em seu universo particular, seu problema, encontrando sua solução, vencendo obstáculos. Não se espera nada do outro. Calma, com alma. Simplicidade. A cerimônia do chá refletina na vida familiar.

“Cada um com o seu cada um” dizia uma amiga minha, por volta dos meus vinte anos. Passado muito tempo, ainda sinto dificuldades em praticar e percebo que não importa a idade, sexo, grau de instrução, nacionalidade... todos temos essa dificuldade.

Compreender personalidades mais fechadas, menos expansivas é difícil. Alegria é sorrir e abraçar todo mundo. Amar é contato. Mas existem diversas formas de toque e afeto. A expansividade é um bom esconderijo pra falta de profundidade nas relações. Vivemos assim, afastados. A família do filme não se abraça, não se beija, mas se respeita e se ama.

Profundidade. Algo só é dito e feito quando há consistência. Sem superfialidades, medita, estuda, investiga, amadurece. Quando o pensamento já não cabe mais em si, faz-se.

Tempo.

A rotina tem seu encanto, crítica de Eduardo Valente.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Jogos de suspense

"Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove; 
Um deles se engasgou e então ficaram nove. 
Nove negrinhos sem dormir: não é biscoito! 
Um deles cai no sono, e então ficaram oito. 
Oito negrinhos (...)
E depois? O urso abraçou um, e então ficaram dois. 
Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então ficou só um. 
Um negrinho aqui está a sós, apenas um;
Ele então se enforcou, e não ficou nenhum."

Nunca pensei em escrever sobre Jogos Mortais, mas enfim, quero falar da insatisfação em vê-lo. Confesso que sou fã de suspense, mas uma boa história é difícil de escrever. Na adolescência li alguns livros da Agatha Christie e me deliciava. O primeiro que li foi “Os elefantes não esquecem”, como não sou elefante, já esqueci a trama toda. O mais marcante foi “O assassinato de Roger Ackroyd”, inesquecível por diversas nuances, mas principalmente por uma constatação constante do investigador Poirot: todo mundo tem um segredo. Isso foi mais importante que a trama do assassinato. 

Depois, os livros dela foram se tornando pouco surpreendentes pra mim, não que eu adivinhasse a trama antes do fim, mas por achar que o jogo era injusto. A autora raramente revelava fatos cruciais para decifrar o enigma, então, você podia ter descconfianças, mas ela sempre ganharia no último capítulo. Isso sim, pareceu-me tedioso e desleal, do tipo “não sabe brincar, não brinca”. E é nessa direção que Jogos Mortais segue. Esclareço que vi apenas o primeiro e foi suficiente para perceber a desonestidade da história.

Quando o lançaram, muitos diziam entusiasmadamente que se tratava de um filme com final surpreendente. Na minha opinião, um final estapafúrdio, onde o espectador não tem chance de chegar. Mesmo assim, o filme poderia ter um conteúdo plausível, que justificasse o desfecho tirado da cartola. Mas nem isso! Lembrei-me desse filme porque acabei de ler “O caso dos dez negrinhos”, que me indicaram dizendo que o filme Identidade havia sido baseado nele. Como gostei de Identidade, resolvi ler. Há uns dez anos não lia Agatha Christie e mais uma vez a história é contada de forma incompleta e no final, ela vence. Mas nesse livro, isso não faz a mínima diferença. A insanidade do final é explicada por uma mente psicopata perfeita. Um assassino admirável, com o nível de inteligência do psicopata de Seven e de Hannibal, que pra mim são os dois personagens mais bem bolados do gênero. Já em jogos mortais, o assassino também não sabe brincar. Ele impõe a suas vítmas, situações impossíveis de serem superadas, que é contrária à teoria de que ele está tentando salvá-las. Incoerência total. A estética mórbida me agrada, aliás, fui atraída pelos cartazes do fime. O argumento é interessante, mexe com a imaginação. Mas, falta criatividade para dar conta disso tudo.

Só para registro, a única coisa que Identidade e O caso dos dez negrinhos possuem em comum é o clima tenso, de assassinatos consecutivos. O resto é resto. Mais vale o processo de suspense que a história em si.

A direção de arte dos cartazes de Jogos Mortais é ótima, continua surpreendendo com "detalhes" mórbidos.

Identidade também tem um cartaz à altura do filme. Muito bom!




Gosto do título em inglês, demonstra que o fim dos personagens é o menos importante. A primeira capa eu acho que tem Photoshop demais, mas a idéia é boa. Na segunda tem elemento demais gritando, mas a idéia também é boa. Este último tem a melhor solução gráfica, mas falta identidade com a história...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

X-life

"Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento" Clarice Lispector

Vivemos e tentanmos compreender nosso significado. Desconfiamos de diversas coisas que não conseguimos provar. Relatamos a vida de forma inconclusiva, não importa a idade, o sexo, localização e classe social. Por mais firme que seja a ciência nesses dias insanos, por mais avançada que seja a sociedade, o máximo que conseguimos fazer é querer acreditar.

Cremos em experimentos, cálculos, lógicas, filosofias, religiões... O que mais me atraiu na série foi e a certeza do incerto. A ciência não é soberana, soberano é o caos. Ela não encerra todas as respostas, é apenas um conjunto de perguntas, algumas respondidas, a maioria não. Na época em que conheci Arquivo X, em seu sexto ano, eu havia deixado recentemente uma carreira na área de saúde para me dedicar à ciência inexata da arte. Haviam perguntas demais na minha cabeça, a maior parte sem resposta. Compreender a vida através da ciência era insuficiente. Lembro-me de uma noite de chuva, em que observava a luz, o balanço das árvores, a água... um amigo me perguntou: “sabe porque acontece isso?”. Referia-se a algum fenômeno natural muito bonito, não lembro qual. Sei que ouvi uma explicação e pensei que aquilo não tinha o menor significado pra mim. O importante era estar ali e apreciar o momento.

Eu via Arquivo X não com interesse em compreender a pseudo-explicação científica para fatos inexplicáveis e irreais. Pra mim, era só um trampolim para o prazer de imaginar que as coisas são bem diferentes do que nossos sentidos captam e a mente processa. Nós somos insignificantes. A verdade está sempre lá fora. Inatingível. Não há o que se fazer para encontrá-la.

______________________

P.S.: "Quando o filósofo alemão Friedrich Nietzsche afirmou que não há fatos, só interpretações, não poderia imaginar que poucas décadas depois seria confirmado por um matemático." Carla Rodrigues. Vale a pena conferir o texto na íntegra: http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/570

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Meu nome não é 171

Essa história dava um caldo melhor..












Meu nome não é Johnny
parece ingênuo como os meus anos 80. Espero que os jovens de hoje não se deixem levar por esse conto da Carochinha, porque a ingenuidade tem seu preço e, nesse caso, pode ser alto demais.

Se você não viu o filme, melhor não ler o texto de hoje, tem um monte de spoiler.

Talvez a ingênua seja eu. Pode ser que um jovem, de classe média carioca, consiga realmente se viciar sem nenhum transtorno. E como prêmio por sua honradez, passe a vender drogas pra pagar as festinhas e a diversão com os amigos. Isso, repito, sem efeito colateral algum! É possível que tubarões do tráfico sejam caras solícitos, que oferecem sua mercadoria a pessoas expansivas e fazem convites simpáticos para passear pela Europa, com trouxinhas embaixo do braço e todas as facilidades do mundo.

Incluído no pacote de boas perspectivas, há o amor, a pessoa ideal que surge inesperadamente e convive na insegurança do dia-a-dia sem maiores problemas, mesmo com quilos de droga dentro de casa, pouca infra-estrutura e pertubações de viciados na portaria do prédio. Mas nada impede a felicidade, apenas o ciúme atormenta o casal.

Acredito que aconteça do mocinho descobrir que está sendo chamado de bandido e ter a chance de provar, aos olhos da justiça, que de vilão ele não tem nem o nome. Desse modo, talvez consiga salvar seus amigos e se torne um herói.

Por fim, pode ser que alguém saia da cadeia sem máculas e que o sistema penitenciário o ajude a mudar. Sim, tudo é possível! Pois bem, o Natal tá chegando e vou escrever minha cartinha destinada ao Pólo Norte. Quem sabe ganho a casinha dos meus sonhos...

Esse mundo eu podia imaginar nos anos 80, antes dos meus vinte anos. Agora não dá mais. Mas quem sou eu pra dizer isso... Diga você: ingênuo o filme ou ingênua eu?